Educação de Jovens e Adultos: um breve relato
(Maria do Carmo Carneiro Silva)*
As causas de baixa escolarização eram basicamente sociais, econômicas e estruturais. As escolas eram escassas e na maioria atendia o primário. O ensino secundário e normal só era ministrado nas grandes cidades.
Em virtude dessas questões a taxa de analfabetismo em população de 15 anos a mais era de 57%.
Devido essa grande massa de analfabetos, os movimentos sociais iniciaram um vasto processo, principalmente no nordeste do Brasil, de alfabetização de adultos, porém sem uma diretriz nacional tendo como grande precursor o educador brasileiro Paulo Freire.
O Presidente João Goulart sentindo a necessidade de criar uma Diretriz Nacional convida Paulo Freire para presidir os trabalhos que dão início ao processo de escolarização das camadas populares. Foi uma grande conquista na educação brasileira, mesmo com as intenções políticas partidárias subtendidas. Com essas ações o índice caiu de 57% para 39%, dado ainda insignificativo.
Vários encontros foram realizados e é criado o Plano Nacional de Alfabetização (PNA), o qual tinha como objetivo reduzir significativamente o analfabetismo no País.
Com essa alfabetização e a proposta de Paulo Freire, começou a formar nas pessoas consciência política, vários grupos ficaram insatisfeitos com isso. Surge então o golpe militar e acaba com toda essa ação e Paulo Freire é exilado.
A partir de 1964 até a Constituição de 1988, a Educação de Adultos decai, resumindo-se basicamente ao Projeto MOBRAL, que tinha como finalidade ensinar os adultos a escreverem para poderem votar e não tinha nenhuma intenção conscientizadora.
Na década de 90 a Educação de Jovens e Adultos começou a tomar novos rumos com a Lei 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). Em 2000 a Resolução CNE de nº 01 cria as Diretrizes dessa modalidade de ensino.
Conclui-se que A Constituição Federal de 1988 estendeu o direito ao ensino
fundamental aos cidadãos de todas as faixas etárias, o que nos estabelece o imperativo de ampliar as oportunidades educacionais para aqueles que já ultrapassaram a idade de escolarização regular. Além da extensão, a qualificação pedagógica de programas de educação de jovens e adultos é uma exigência de justiça social, para que a ampliação das oportunidades educacionais não se reduza a uma ilusão e a escolarização tardia de milhares de cidadãos não se configure como mais uma experiência de fracasso e exclusão.
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